A Partitura
Partitura

Uma partitura é uma representação escrita de música padronizada mundialmente. Tal como qualquer outro sistema de escrita, dispõe de símbolos próprios (notas musicais) que se associam a sons. No contexto da música assistida por computador, a partitura, ao contrário das tablaturas, desempenha um papel crucial. Através de tecnologias como MIDI é possível traduzir uma partitura integralmente para um formato legível pelo computador ou instrumentos eletrônicos (como sintetizadores) para posterior reprodução.

Utilidade e uso

A partitura pode ser usada como registro ou guia para executar uma peça musical. Ela pode ser estudada para criar a performance e esclarecer aspectos da música que podem não ser óbvios quando está apenas sendo ouvida.
Compreender uma partitura requer uma forma especial de literatura: a habilidade de ler notação musical. Porém a habilidade de ler ou escrever músicas não é pré-requisito para compor. Muitos compositores foram capazes de produzir música na forma impressa sem possuir a capacidade de ler ou escrever notação musical. Como exemplos podemos citar o compositor cego John Stanley (século XVIII), Lionel Bart, Irving Berlin e Paul McCartney (todos do século XX). A habilidade de executar uma música desconhecida lendo apenas uma vez a partitura é esperada de um músico profissional ou mesmo de músicos amadores sérios.
Uma habilidade ainda mais refinada para um músico é a capacidade de olhar para uma nova partitura e "ouvir" a maioria dos sons (melodias, harmonias, timbres, etc.) em sua própria cabeça sem ter executado a obra.

Tipos

Partituras modernas podem vir em formatos diversos. Se a peça é composta por somente um instrumento (ou voz), como uma peça de solo ou capella, todo o trabalho deve ser escrito como uma peça. Se uma peça instrumental deve ser executada por mais de uma pessoa, cada músico geralmente terá a sua peça separada das demais, chamada de "parte", a qual seguirá a mesma durante a execução. Este é o caso especificamente de trabalhos que requerem quatro ou mais músicos, apesar de todos receberem uma versão completa da peça (todas as vozes).
A parte de voz (coral ou solo) geralmente não é separada hoje em dia, apesar de historicamente esta ser a situação, especialmente antes antes de ser possível imprimir as partituras.
Partituras podem ser montadas como peças individuais (por exemplo a sonata de Beethoven), em coleções (por exemplo o trabalho de um ou vários compositores), como peças executadas por determinado artista, etc.
Quando as vozes instrumentais e o coro são impressas juntas, o resultado da partitura é chamada de grade.
Grades podem vir em diversos formatos, a citar:

  • Grade do regente: utilizada pelo maestro.
  • Grade completa: grande livro com todos os instrumentos e vozes arranjadas e em ordem fixa.
  • Grade em miniatura: é a grade completa, porém com tamanho reduzido - é muito pequena para ser utilizada em apresentações, porém extremamente útil para estudo da peça.
  • Grade de estudo: a grade de estudo é algumas vezes em tamanho da grade em miniatura, porém com notações que facilitam o estudo.
  • Grade de piano: grade montada especificamente para piano - esta podem ser montadas para piano solo (duas mãos) ou duetos (quatro mãos).
  • Grade reduzida: é a redução de uma peça para muitos instrumentos com apenas alguns compassos.
  • Grade guia: especifica apenas melodia, letra e harmonia.
  • Grade de acordes: contém pouca ou nenhuma informação melódica, mas informações detalhadas sobre harmonia e ritmo.
Exemplo de partitura:
Partitura

História

Antes do século XV, a música ocidental era escrita à mão e preservada em manuscritos, geralmente reunidos em grandes volumes. Os mais conhecidos exemplos são os manuscritos medievais de canto. Este processo foi auxiliado pelo advento da notação para ritmo e foi paralelado pela prática medieval de compor partes polifônicas sequencialmente.
Manuscritos mostrando as partes juntas no formato de grade eram raras e limitadas geralmente ao órgão, especialmente na escola Notre Dame.
Mesmo depois do advento da música impressa, muita música continuou a existir somente em manuscritos mesmo no século XVIII.
Existem diversas dificuldades em transcrever músicas para nova tecnologia. No primeiro livro que incluía música, o Mainz psalter (1457), foi necessário incluir notações à mão. Esta obra foi impressa em Mainz, Alemanha por Johann Fust e Peter Schöffer - e agora uma cópia reside no castelo Windsor e outro na biblioteca britânica.
Mais tarde as linhas-guia foram impressas, mas escribas ainda adicionavam o restante da música à mão. A maior dificuldade na utilização de elementos móveis para imprimir música é que todos os elementos devem se alinhar - na música vocal o texto deve estar alinhado com as notas.
A primeira partitura impressa apareceu em 1473, aproximadamente 20 anos após Gutenberg mostrar a prensa. Em 1501, Ottaviano Petrucci publicou "Harmonice Musices Odhecaton A", o qual contém 96 pelas de música impressa. O método de Petrucci produziu uma música limpa, legível e elegante. Porém a dificuldade do processo requeria três passadas distintas na impressora.
Petrucci mais tarde desenvolveu que requeria apenas duas passadas na impressora, porém ainda era um processo delicado, uma vez que cada passada na impressora necessitava de ajuste preciso para que o resultado fosse legível.
A impressão em apenas uma passada surgiu somente em 1520 em Londres. Pierre Attaingnant tornou esta técnica popular em 1528, a qual permaneceu inalterada por cerca de 200 anos.

Desenvolvimentos atuais

Nos séculos XX e XXI, interesses significantes resultaram no desenvolvimento da representação da partitura em um formato possível de ser lido pelos computadores. O software pode "ler" partituras digitalizadas, então os resultados podem ser manipulados, se tornou disponível desde 1991. Em 1998, partituras virtuais evoluíram no que pode ser chamado de partitura digital, a qual, pela primeira vez permitiu os editores vendê-las com o devido copyright online.
Ao contrário das partituras impressas, estes arquivos permitem manipulação, como alteração de instrumentos, transposição e mesmo execução por MIDI (Musical Instrument Digital Interface). A popularidade desta forma instantânea de distribuição fez com que a indústria da música crescesse muito e visualizasse um futuro promissor.
Um dos primeiros programas para notação musical disponível foi o Music Construction Set de 1984 e lançado para diversas plataformas. Vários conceitos introduzidos por ele são utilizados até hoje como:

  • Manipulação de símbolos e notas musicais com o mouse.
  • Arrastar elementos da paleta e colocá-lo na partitura já no seu local correto.
  • Reproduzir as partituras montadas na placa de som da estação.
  • Impressão da partitura em qualquer impressora.
São exemplos de alguns programas utilizados atualmente Aria Maestosa e MuseScore (freeware), além do Cakewalk, Pro Tools, Logic Pro, Guitar Pro e Encore (licenciados comercialmente).

Fontes de Consulta

http://pt.wikipedia.org/wiki/Partitura
http://en.wikipedia.org/wiki/Sheet_music
http://www.cifras.com.br/tutorial.htm?cod=como-ler-partituras_6